O piso salarial do sindicato de SP traz a remuneração de roteirista por obra.
O profissional formado em cinema de cara enfrenta um problema ao sair da faculdade: não existe um piso salarial nacional para a categoria, que normalmente trabalha como prestadora de serviço. Segundo Joel Zito Araújo, presidente da Associação Brasileira de Cineastas (Abraci), a maioria dos profissionais é remunerada por projetos, portanto, não há uma entrada regular de salários. "De modo geral, os ganhos são sazonais. Com exceção daqueles que optam por dar aulas", disse Araújo.
Segundo dados do Sindcine, um diretor cinematográfico de filmes de longa, média ou curta duração deve receber R$ 2.126 por semana. O diretor de fotografia, nas mesmas condições, deveria receber R$ 1.885.
Ainda de acordo com a tabela do sindicato de São Paulo, o roteirista deve receber pelo menos R$ 17.454 pelo roteiro de um longa. Essa é uma área com poucos profissionais qualificados no país. "O roteiro é uma das áreas mais carentes no Brasil. Isso não quer dizer que o aluno não saiba escrever. O problema é que o roteiro é a espinha dorsal de um filme, é fundamental. Há quem diga que o roteirista é mais importante que o diretor. E, por isso, é difícil encontrarmos roteiristas excepcionais", disse a professora Esther Hamburger, chefe do departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA/USP.
A mesma opinião é compartilhada pelo professor Henrique Finco, subcoordenador do curso de cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). "O Brasil enfrenta uma carência muito grande na formação de roteiristas. Esta é a parte mais complexa de um filme, exige que o profissional tenha uma série de conhecimentos", disse. Segundo Finco, uma novela deve ter cerca de 20 roteiristas.
A professora Alexandra Lima Gonçalves Pinto, coordenadora do curso de imagem e som na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) também concorda. "As pessoas geralmente não valorizam a importância da escrita e, por isso, temos poucos profissionais aptos a escrever. E essa é uma formação muito valorizada porque por mais que tenhamos muita tecnologia, é fundamental que exista alguém que saiba escrever uma boa história", avaliou.
381 filmes lançados
A indústria cinematográfica brasileira lançou, nos últimos dez anos, 381 filmes de longa-metragem, segundo dados da Agência Nacional do Cinema, a Ancine. Os dados sobre filmes produzidos não são computados porque, segundo a agência, muitos demoram mais de um ano para terminar.
Além disso, a partir de 2002, essa indústria movimentou um total de R$ 563,817 milhões, através das leis de incentivo fiscal. Não há dados sobre exportação, pois ela é feita diretamente entre vendedor e comprador, sem a interferência da agência.
Segundo a Ancine, até 31 de dezembro do ano passado, o Brasil possuía 679 produtoras cadastradas, cerca de 70% delas na Região Sudeste, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Não por acaso, é esta região que melhor remunera os profissionais.
[essa nota é de 22/07/07 - G1]
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário